Agit Moura

Um blog dedicado a quem verdadeiramente gosta deste nosso cantinho. Pelo bem estar e pelo progresso da nossa terra, venha aqui deixar o seu contributo.

16.5.06

Texto de um Leitor: Comparação entre Moura e Serpa

Numa altura que voltam a estar na moda as comparações entre Serpa e Moura, mostro-vos aqui alguns dados estatísticos respeitantes aos dois concelhos em questão. Nada me move contra Serpa, muito pelo contrário, sou um confesso apreciador do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por João Rocha e pela sua equipa. Somos todos alentejanos, mas acima de tudo somos Mourenses e eu em particular gosto muito de valorizar o que por cá temos, não suportando por isso comparações injustas, quantas vezes baseadas em pressupostos falsos.
Os números que apresento abaixo, são provenientes do Instituto Nacional de Estatística e falam por si. Se não falarem cá estarei para esclarecer qualquer dúvida que vá surgindo. É minha intenção ainda trazer até vós mais dados comparativos entre Moura e outros concelhos alentejanos, tantas vezes apontados como exemplos a seguir...
Conto com a vossa disponibilidade para irem publicando os textos conforme eu os for enviando.

P.S - Vejam lá se arrebitam o Blog, tem-se feito tanto de positivo pela nossa terra e vocês parece que andam alheados disso. E a propósito, eu sei o vosso e-mail, mas há leitores que não o sabem e podem estar interessados em colaborar convosco. Ponham o vosso contacto aí visível sff.

Dado Estatístico
Moura
Serpa

Área Total
958,4
1 105,4

Freguesias
8
7

Densidade Populacional
17,1
14,5

População Residente, em 2001
16 590
16 723

Alojamentos Familiares – Total (2004)
9 707
9 758

Nados vivos (2004)
182
131

Taxa de Natalidade
11,1
8,1

Taxa de Nupcialidade
3,8
3,4

Índice de Envelhecimento
143,1
172,1

Variação População Residente, entre 1991 e 2001
-5,5
-6,7

Capacidade de Alojamento dos Estabelecimentos Hoteleiros
125
78

Sociedades Sediadas
284
310

Sociedades do Sector Primário
18,3
22,6

Sociedades do Sector Secundário
19,7
19,0

Sociedades do Sector Terciário
62,0
58,4

Depósitos em Bancos, Caixas Económicas e Caixas de Crédito Agrícola Mútuo
108 817,1
109 219,8

Crédito Concedido por Bancos, Caixas Económicas e Caixas de Crédito Agrícola Mútuo
125 688,9
90 650,6

Crédito Hipotecário Concedido a Particulares
993,3
538,7

Obras Concluídas - Total de Edifícios
106
57

Obras Concluídas - Edifícios para habitação
61
46

Licenças Concedidas para Construção de Edifícios (Construções Novas)
52
49

Consumo Doméstico de Electricidade por Consumidor
1,9
1,8

Consumo Industrial de Electricidade por Consumidor
25,0
18,5

Médicos por 1000 Habitantes
8
9

Farmácias por 1000 Habitantes
7
4

Taxa de Analfabetismo HM, em 2001
19,1
20,9

Eu Também Tenho Umbigo

3.5.06

A propósito do fecho de Maternidades - Texto de Joaquim Escoval

Numa altura em que o encerramento de maternidades entre outros serviços de saúde, volta a estar na ordem do dia, trago até vós um texto escrito por um conterrâneo nosso.

Desculpas serão quantas quisermos, mas a verdade é que querem poupar dinheiro. Já decorreu uma boa meia dúzia de anos desde que decidiram fechar maternidades (a de Moura foi uma delas), invocando então o reduzido número de partos que ali se efectuavam e não tratando de saber da qualidade das estradas ou dos meios de transportes e muito menos da vontade das mães das respectivas famílias, em quererem ter os seus filhos na terra onde nasceram e, em muitos casos, na mesma maternidade.

E lá foram nascer alguns bebés em Serpa, outros em Beja e outros no meio do caminho. Passado este tempo, um novo movimento de encerramento de maternidades se anuncia agora com desculpas mais refinadas.

Agora é a falta de condições senão da maternidade dos cuidados pré natais ou pós natais, tanto faz, o que interessa é fechar.

Agora é o bom estado das vias de comunicação que torna possível efectuar o trajecto mais rapidamente.

Agora é algumas maternidades laborarem com menos médicos que os aconselháveis.
Desculpas serão quantas quisermos.


Mas a verdade é que o Estado não cuidou nem quer continuar a cuidar de arranjar condições para que as maternidades se mantenham e em boas condições, mesmo que o número de partos seja nalguns casos muito superior ao invocado há anos atrás.

Afinal a estrada de Moura/Serpa continua exactamente igual como então.
Afinal se foram detectadas maternidades com esta ou aquela deficiência não mandaria o bom senso que elas fossem resolvidas em lugar de as encerrar pura e simplesmente com todos os incómodos que isso acarreta para a grávida, para o bebé e para a restante família?
Se não há condições isso não deve ser imputado ao ministério da Saúde e aos seus sucessivos responsáveis, que por acaso até têm nome?


Se há falta de profissionais de saúde a culpa não será do mesmo ministério e já agora do da educação, ambos responsáveis pela formação e contratação deste pessoal?

Num país em que assistimos a guerras incompreensíveis entre o INEM e os Bombeiros, por causa da assistência e transporte de doentes, e com o trânsito caótico que se verifica em algumas artérias, como se pode transmitir confiança a uma mãe em trabalho de parto?

Somos um país em que há anos praticamente tem estagnado a sua demografia, e se algumas regiões a viram crescer foi por causa da emigração do Brasil e dos países de leste, como no Alentejo.

Somos um país em que se lamenta que nascem poucas crianças em Portugal e cada vez temos uma população mais envelhecida.

Somos um país em que se retiram direitos aos actuais e futuros contribuintes da Segurança Social, piorando nitidamente as condições de velhice de todos, quer ao nível da pensão de reforma que se vai, se for, auferir quer, ao nível do tempo em que essa merecida reforma pode ser gozada mercê do aumento da idade de reforma para os 65 anos.

Somos um país que ainda assim e em contraponto manda que os nossos filhos vão nascer a Espanha, logo aumentando o número de espanhóis e reduzindo o número de portugueses. E ainda corremos o risco de passar pelo vexame dos médicos espanhóis quererem aceitar ou não fazer os partos, que toda a lógica e bom senso mandam que se fizessem em Portugal.

Pelo menos deveríamos ter o direito de como portugueses ter filhos portugueses.

Desculpas serão quantas quisermos, mas dificilmente o Sócrates e os seus ministros nos convencerão de estarem a agir correctamente nesta matéria.

- Joaquim Escoval

Texto extraído de http://www.diariodobarreiro.pt/Opiniao2/md_col_2.asp

4.4.06

Texto de Opinião "A juventude francesa, um exemplo a seguir..!"

Mais uma vez aqui fica um texto do nosso migo André Escoval, desta vez sobre o CPE, a juventude e a luta de masas. O nosso muito obrigado a mais este contributo e desde já também informar que este texto está no recém criado blog www.lugarderefugio.blogspot.com do amigo André Escoval, que desde já felicitamos e aconselhamos a visitar.

Boas leituras e muitos comentários.
Hoje enquanto ouvia as noticias (sim, aquela novela dramática, terrorista, manipuladora, alienadora, que dá todos os dias quando a familia está reunida à mesa), apercebi-me que pela 7ª vez consecutiva em 2 meses, (com especial incidência sobre o mês de Março em que a população francesa saío 5 vezes à rua), em especial a população da minha faixa etária, a juventude (que o jornalista dessa novela apelidou, curiosamente, de acutilante...) saía de novo à rua depois de mais uma greve sectorial levada a cabo também hoje, dia que antecede uma nova discussão do CPE no parlamento, que tem gerado toda esta revolta (para mim, mais que legítima e acima de tudo necessária!).
Mas nos dias em que vivemos não acham que terá que ser algo extremamente gravoso o que está a acontecer em França, para desencadear tudo isto??Pois vejamos, é criado pelo governo neoliberal de Villepain, uma Lei que é um dos maiores ataques ao direitos inalienáveis de qualquer trabalhador, em especial para a juventude que ingressa no mercado de trabalho. Lei essa que define que um jovem permanece 2 anos após o 1º emprego num período de experiência profissional, e que por isso o patrão tem legitimidade para despedir um trabalhador nestas condições sem dar contas a ninguém nem justificar nada.
Consequência disso, forças de esquerda, sindicatos, movimento associativo e a população em geral desencadeia mais uma luta de massas sem precedentes nos tempos que correm. Só na manifestação na cidade de Paris, no dia 28 de Março saíram à rua cerca de 1 milhão de manifestantes, ao qual se juntaram mais de 200 manifestações noutras cidades daquele país, isto segundo dados dos sindicatos e organizações intervenientes.
Ao qual, o Presidente Chirac, anunciou a promulgação da Lei, mas impunha algumas modificações... O jovem passa a permanecer só 1 ano após o 1º emprego num período de experiência profissional, e o patrão passa a ter que justificar porque despediu o trabalhador (medidas de fachada diria eu..., pois o importante fica por abolir, o fim da precarização do emprego!, daí a necessidade da total abolição do CPE). Mesmo assim, com a apresentação deste "lavar de cara" ao CPE, o povo reagiu afirmando que não se resiganava nem se sentia compensado com elas, afirmando assim, que continuaria com a manifestação e greve sectorial levada a cabo por esta altura, até à retirada exclusiva do CPE.
Na França, também a quando do referendo sobre o Tratado da Constituição Europeia, mais uma Lei de caracter neoliberal, com fortes ataques aos povos Europeus, através da mobilização das massas, foi decretado pelo povo um rotundo Não ao referido documento, ferindo-o logo ali de morte e anunciando à Europa que pela força das massas seria possível a libertação de tal atentado.
O crescimento do poder de mobilização e auto-mobilização para luta de masas neste país estratégico da UE, mostra o descontetamento com as politicas seguidas ao longo dos tempos, os ataques de que os trabalhadores e as classes mais desfavorecidas tem sido alvo em prol de benefícios para o grande capital. Mostra a consciência que o povo tem vindo a adquirir, e a reconhcer que a unica saída credível e com força para fazer estancar e retroceder a ofensiva neoliberal levada a cabo pela elite Capitalista e Imperialista que gere os nossos destinos, a UE o mais fiel vassalo dos EUA.
Mais do que isso, mostra ao resto da Europa a necessidade de lutar e abre portas à esperança de que é possivel uma Europa mais justa, inda mais quando são jovens os principais visados, consequentemente os que gritam mais alto e afirmam o continuar da luta agitando as bandeiras da indignação e da não resignação, porque é o seu futuro que estão a ver ameaçado, hipotecado ao capital... E fruto da juventude esta irreverência, luz do futuro, tocha de um mundo mais justo, de uma outra sociedade!!

29.3.06

Câmara Municipal toma posição sobre o desemprego no concelho

O aumento da oferta de emprego no concelho, dar prioridade aos desempregados que não usufruam de qualquer rendimento, colocando-os nos programas ocupacionais e o aumento e diversificação da formação profissional tendo em consideração as necessidades da região, são as reivindicações da Câmara Municipal contidas numa tomada de posição aprovada na reunião de Câmara de 1 de Fevereiro.

As ofertas de emprego que surgem são muito escassas e insuficientes para dar resposta às solicitações com que a Câmara de Moura é confrontada e às quais não consegue dar resposta. Diariamente dirigem-se à autarquia cerca de 10 pessoas a pedir ajuda para resolver o problema de falta de trabalho, as quais fazem parte dos 1.183 desempregados que existem no concelho.

A Câmara Municipal tem esperança que, tanto o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, como o projecto da Central Solar Fotovoltaica e suas componentes, possam contribuir para alterar o actual quadro. Para isso é necessário que os respectivos procedimentos sejam agilizados pelas entidades competentes de modo a que mais rapidamente correspondam às expectativas criadas.

O desemprego e o emprego precário dão origem a situações de pobreza e exclusão social que, associados à desertificação humana, constituem problemas centrais do concelho de Moura e contribuem para desperdiçar energias e contributos dos nossos concidadãos, sobretudo os mais jovens e, consequentemente, são um forte travão ao desenvolvimento do concelho.

Esta posição da Câmara Municipal foi enviada aos diversos órgãos de soberania, nomeadamente, ao Presidente da República, ao Primeiro-Ministro, à Assembleia da República e aos diversos grupos parlamentares.

Muitos Parabéns leitor Palavras nas Pontas dos Dedos!

Em nome do Agit Moura gostariamos, antes de mais, de agradecer ao leitor Palavras nas Pontas dos Dedos o belo poema que nos enviou. Também não conseguimos apurar o autor, quem souber que o diga.

Há alegria nalguns reencontros; existem memórias percorridas pela melancolia. O tempo - é saber antigo - voa. Hoje, o sol castiga as calçadas, amanhã, o vento torce as árvores nuas.

Que mais oferecer que a entrega dos dias à recordação de algumas vozes?

A sombra de uns versos, que nunca mergulha nas águas do mesmo rio?

Aceite ainda estas palavras de Eugénio de Andrade, como se fossem nossas, uma vez que faz anos hoje.

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Que conte muitos mais aniversários caro/a Palavras nas Pontas dos Dedos.

27.3.06

Quem lucra afinal com o pânico gerado pelo H5N1, vulgo gripe das Aves??

Aqui ficamos com uma pequena amostra de que por vezes aquilo que nos parece um dado adquirido, é somente o que algumas pessoas querem que pensemos que seja. Quando há dinheiro metido ao barulho nada mais interessa. Um muito obrigado ao amigo que nos deu a conhecer o texto.


EL TAMIFLU, DONALD RUMSFELD Y EL NEGOCIO DEL MIEDO

Extracto de la Editorial del número 81(abril-2006) la revista DSALUD

por José Antonio Campoy

¿Sabes que el virus de la gripe aviar fue descubierto hace 9 años enVietnam ?

¿Sabes que desde entonces han muerto apenas 100 personas EN TODO EL MUNDO TODOS ESTOS AÑOS?

¿Sabes que los norteamericanos fueron los que alertaron de la eficacia del TAMIFLU (antiviral humano) como preventivo?

¿Sabes que el TAMIFLU apenas alivia algunos síntomas de la gripe común?

¿Sabes que su eficacia ante la gripe común está cuestionada por gran parte de la comunidad científica?

¿Sabes que ante un SUPUESTO virus mutante como el H5N1 el TAMIFLU apenas aliviara la enfermedad?

¿Sabes que la gripe aviar hasta la fecha solo afecta a las aves?

¿Sabes quien comercializa el TAMIFLU? LABORATORIOS ROCHE

¿Sabes a quien compró ROCHE la patente del TAMIFLU en 1996? a GILEAD SCIENCES INC.

¿Sabes quien era el Presidente de GILEAD SCIENCES INC y aun hoy principal accionista? DONALD RUMSFELD, actual Secretario de Defensa de USA

¿Sabes que la base del TAMIFLU es el anís estrellado?

¿Sabes quien se ha quedado con el 90% de la producción mundial de este árbol? ROCHE

¿Sabes que las ventas del TAMIFLU pasaron de 254 millones en el 2004 a mas de 1000 millones en el 2005?

¿Sabes cuantos millones más puede ganar ROCHE en los próximos meses si sigue este negocio del miedo?

O sea que el resumen del cuento es el siguiente: Los amigos de Bush deciden que un fármaco como el TAMIFLU es la solución para una pandemia que aún no se ha producido y que ha causado en todo el mundo 100 muertos en9 años. Este fármaco no cura ni la gripe común. El virus no afecta al hombre en condiciones normales. Rumsfeld vende la patente del TAMIFLU a ROCHE y este le paga una fortuna. Roche adquiere el 90% de la producción del anís estrellado, base del antivírico. Los Gobiernos de todo el Mundo amenazan con una pandemia y compran a ROCHE cantidades industriales del producto. Nosotros acabamos pagando el medicamento y Rumsfeld, Cheney y Bush hacen el negocio....

¿ESTAMOS LOCOS, O SOMOS IDIOTAS?

AL MENOS PASALO PARA QUE SE SEPA.

Dr.Eneko LANDABURU PITARQUE
Plazuela del Carmen, 8
E- 01320-OION (Araba)
Pais Vasco.- Europa

(Podem ler a versão completa em http://www.dsalud.com/editoriales_81.htm.htm)

21.3.06

Tomada de Posição da Assembleia Municipal em relação à Contenda de Moura

Ficamos agora com texto do nosso amigo "Eu Também Tenho Umbigo".

"Consegui finalmente arranjar o texto da tomada de posição da Assembleia Municipal sobre a contenda de Moura! O texto foi levado à apreciação da mesma, sobre proposta da CDU, tendo sido deliberado, por unanimidade, aprovar o texto que agora vos envio. Saudações cordiais."

Tomada de posição

A Herdade da Contenda, localizada no nosso concelho, na freguesia de Santo Aleixo da Restauração, representa um imenso potencial de desenvolvimento da região, nos domínios da exploração da floresta enquanto recurso económico, da promoção do turismo, do aproveitamento das suas capacidades cinegéticas, do promoção do meio ambiente e da investigação científica em torno da riqueza da fauna e da flora que alberga.

Com os seus 5.267 ha, o Perímetro Florestal da Contenda, propriedade do Município de Moura, é apontado, no âmbito do Plano Regional de Ordenamento Florestal do Baixo Alentejo, actualmente em fase de consulta pública, como espaço a vir a ser considerado como Floresta Modelo.

A gestão daquele espaço, ao abrigo do regime florestal parcial a que está sujeito, tem vindo a ser assegurada pelos serviços da Direcção Geral dos Recursos Florestais. Essa gestão não tem correspondido aos interesses nem das populações do concelho de Moura, nem do desenvolvimento do concelho e da região, importando, no mais curto espaço de tempo, encontrar um novo modelo de gestão da Herdade, capaz de corresponder aos interesses e aspirações legítimas do Município de Moura, seu proprietário.

Desta forma a Assembleia Municipal de Moura, reunida a 15 de Fevereiro de 2006, na Casa do Povo de Amareleja, manifesta a sua solidariedade para com os esforços desenvolvidos pela Câmara Municipal de Moura, no sentido de encontrar resposta para esta importante questão, através de uma alteração ao modelo de gestão actualmente em vigor que, manifestamente, não serve os interesses do município nem das populações do nosso concelho!

12.3.06

Momento Zen do dia!!


Com a devida vénia de agradecimento ao amigo Vladimir, aqui publicamos um documento que por aí andou a circular.

Ideologia?

Esquerda?

Socialismo?

Humildade?

O melhor para o país?

Onde anda isto tudo lá nas contas dos senhores do PS?

Na gaveta!! Atrevo-me eu a dizer.

Zen = Ramo do Budismo Mahayana, que se caracteriza pela profunda meditação que os seus seguidores praticam. Em tudo que se faz na vida, em todos os lugares, em todos os momentos, pode-se adotar uma atitude Zen de não esperar nada e estar preparado para tudo. Mas será que alguém estava preparado para uma destas? Talvez sim!

Texto de Opinião "Um ano de retrocessos"

Caros(as) leitores(as)

Aqui fica mais um texto que novamente nos foi enviado por e-mail, pelo Sr. André Escoval. Desde já os nossos agradecimentos, e relembramos que isto é um espaço aberto a todos, como diversas vezes já o afirmamos.


Três dias depois da unificação da direita no poder, faz Socrates e o seu governo um ano à frente dos rumos de Portugal.

Rumo esse que se tem consubstanciado num calvário para o povo português.

Depois de arrecadados cerca 2.5 milhões de votos e consumar 121 deputados na Assembleia da Republica, Socrates assegura assim a "estabilidade" pretendida para por em práctica as suas politicas, que como todos sabemos e constatamos são politicas ao serviço do grande capital, favorecendo os grandes senhores da oligarquia portuguesa, apoiando a politica imperialista da UE e dos EUA. Sem dúvida uma politica de direita, vinda no seguimento das seguidas pelos governos de Guterres, Durão, Santana e Portas!

Logo na intervenção da tomada de posse foi-nos apresentado, no seguimento do que vinha sendo dito durante a campanha eleitoral, um conjunto de medidas vagas e de fachada, que se traduziriam mais tarde em nada!

Deste ano de governo de direita, ficam bem patentes o autoritarismo, a arrogância, a falta de disponibilidade para o dialogo entre os diversos parceiros nacionais de que este governo, e sobretudo o seu rosto, o primeiro-ministro Jose Socrates, se regem.

Fruto de tudo isto tem sido a degradação e os ataques consecutivos ás condições de vida, do bem-estar e aos direitos das classes mais desfavorecidas do povo português, que começou logo com o aumento dos impostos (IVA) de 19 para 21%, com a miserável resposta politica aos incendios de 2005, com o menosprezar do papel dos representantes dos diversos sectores da sociedade portuguesa (Sindicatos, Associações de Estudantes, etc) e na definição das políticas para os mesmos. A degradação do sistema de saúde e educação português, a par das consecutivas tentativas de privatização dos mesmos. Sectores estes que têm sido objecto de medidas avulsas, irresponsaveis, desadecuadas para o actual contexto e necessidades do país. Somos também agora confrontados com o encerramento de cerca de 1500 SAP, de mais de 15 serviços de maternidade e obstetricia, com o encerramento de 3 grandes unidades hospitalares na capital, sem que alternativas credíveis sejam apresentadas, quando ao mesmo tempo e no mesmo sector, nos é mais uma vez, aumentado o preço das taxas moderadoras.

Na educação somos confrontados depois da aplicação de uma forma irresponsavel e perfeitamente desorganizada do inglês no 1º ciclo, com o encerramento de um grande número de estabelecimentos de ensino, com a aplicação mais selvagem e desorganizada possível das aulas de substituição, com um vaguear autentico em relação à definição dos exames nacionais, etc.

Na habitação somos assolados com a monstruosa lei das rendas, que aumenta em alguns casos, mais de 200% o seu actual valor( por curioso que pareça atinge sobretudo os mais desfavorecidos...).

E mais coisas poderiamos continuar aqui a enumerar, como o vazio total do designado Plano Tecnológico, o aumento do número de desempregados, o retomar do processo de co-incineração, o apoio e consentimento das politicas agressivas sobre outros estados soberanos, etc. Mas não o farei porque estaria a alongar-me demais.

Mas, caros(as) leitores(as), tudo isto nós sentimos na pele num ano, pergunto-me agora: O que se passará daqui em diante com a unificação da direita no poder e a dominação total de todas as instituições governativas em Portugal??

Neste momento assistimos a uma concentração total do poder em Socrates, como nem Cavaco, nos seus tempos como PM o fez. Temos Cavaco na presidência da república, e para cúmulo numa das ultimas intervenções de Socrates, ouvimos esse Sr. proferir a seguinte frase: “O mais dificil ainda está para vir.”.

Desejo-vos boa sorte, empenhamento e que na unificação de esforços consigamos arranjar forças para dar combate a estes senhores e ás suas políticas. Continuo a acreditar que a luta é o caminho, e só com a participação activa de cada um poderemos alterar o percurso que outros nos traçaram.

Ass: André Escoval

9.3.06

Texto de Opinião "o retrocesso português"

Caros(as) leitores(as)

Aqui fica um texto que nos chegou por e-mail devidamente identificado.
Desde já os nossos agradecimentos, e relembramos que isto é um espaço aberto a todos.

Uns dizem que Jorge Sampaio foi um bom presidente, outros dizem que foi mau, outros não se definem, dizem que foi inconsequente (aqui cada um lê o que quer... e todos sabemos bem porque... e no fundo a maioria reve-se nesta caracterização!)

Mas agora digo eu: começa hoje mais uma epoca negra na história de Portugal, a aliança de direita, de resto bem patente hoje na intervenção do coiso e tal, e apaludida de pé pelo Socrates, e o resto das bancadas (com a excpeção da bancada do PCP que permaneceu sentada e sem apludir, o que me deixa orgulhoso e mostra que ainda há alguém com dignidade e principios!)

Oh Portugal ao que chegas-te...

Tenho pena que assim seja!!!

Mas é com a adversidade que o povo emerge...

Ass: André Escoval

22.2.06

Contenda de Moura: Governo "não deixa, nem sai de cima".

Passamos agora a publicar o seguinte texto que, esperamos, permita elucidar as pessoas sobre o que realmente se passa na Contenda. Segundo o leitor que nos enviou o texto, este faria parte de uma informação da Autarquia à Assembleia Municipal. Mais nos informa que a Assembleia Municipal, aprovou por unanimidade uma Tomada de Posição, proposta pela CDU, relativa à questão da Contenda.
Agradecemos desde já o envio de tão importante documento, prometendo aos leitores que tudo faremos para trazer até vós o texto da Tomada de Posição (se alguém o tiver até agradeciamos que nos poupassem esse trabalho).

INFORMAÇÃO SOBRE A HERDADE DA CONTENDA

Na sequência de pedido de audiência endereçado em 16/03/2005, ao Sr. Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, realizou-se no passado dia 16 de Janeiro de 2006, uma reunião sobre a Herdade da Contenda, que contou por parte da Câmara com a presença do seu Presidente, e por parte da Secretaria de Estado, com a presença do Sr. Secretário de Estado, acompanhado pelo Sr. Eng. Coucelo, responsável pela Circunscrição Florestal do Sul, pelo Sr. Arq. Lecoq técnico da referida Circunscrição e ainda pelo Sr. Dr. Bernardo Fialho jurista da Direcção Geral dos Recursos Florestais.

Foi inicialmente transmitida a posição da Câmara, de tendo em conta a evolução que todo o processo teve nos anos de 2003 e principalmente no final de 2004, reclamar para si a responsabilidade directa da gestão da Herdade, sem isso colocar em causa a manutenção do Regime Florestal Parcial, utilizando-se de acordo com o preceituado no Decreto de 24 de Dezembro de 1903 a opção de "arborização e exploração feitas e custeadas pelo corpo ou corporação administrativa”. A concretização desta opção implica a publicação por parte do Governo de um Decreto que revogue os Decretos de 08/05/59 e de 13/04/63, que submeteram a Herdade ao Regime Florestal e atribuíram a sua gestão ao Estado, nos termos do também referido Decreto de 1903.

Refira-se a propósito que o referido Decreto de 1903, com base no qual se submetem espaços ao regime florestal parcial, prevê no seu artigo 219, três formas de exploração: arborização e exploração por conta do Estado, feitas pelos serviços florestais (solução adoptada para a Contenda); arborização e exploração feitas e custeadas pelo corpo ou corporação administrativa (posição que a Câmara defende desde finais de 2004); e expropriação do terreno, sua arborização e exploração feitas pelo Estado, em regime florestal total (situação que se recusa liminarmente).

A pretensão da Câmara foi rejeitada pelo Sr. Secretário de Estado, com o argumento de tendo em conta, quer o investimento público já realizado na Herdade, que a transformou naquilo que ela é, quer o interesse da defesa da floresta, implicarem que a entidade adequada para a gestão da Herdade é a Direcção Geral dos Recursos Florestais, estando disponíveis para o estabelecimento de parcerias com a Câmara.

Na sequência da discussão, e perante a necessidade de se encontrar um modelo de gestão diferente para a Herdade, ficou em aberto a possibilidade da constituição de uma entidade para a gestão, tomando-se como exemplo a Tapada de Mafra. Neste caso trata-se de uma régie-cooperativa, que associa Estado, Câmara e outros parceiros, onde o Estado detém a maioria. Na hipótese de constituição de uma régie-cooperativa ou outra entidade para a gestão da Contenda, a posição do Governo era a de participar, apenas, com o Estado em posição maioritária.

Na hipótese de se trabalhar para a constituição desta entidade, foi admitida a possibilidade de celebração de um novo Protocolo (mais avançado do que os anteriores), que teria sempre um carácter transitório.
Feito o ponto da situação, restam à Câmara as seguintes opções:

- Reclamar a gestão e a posse total da Herdade, o que pressupõe abrir duas frentes de intervenção, uma de natureza jurídica (pondo em causa o cumprimento dos princípios de gestão intrínsecos aos regimes florestais) e outra de natureza política (procurando criar condições para a publicação do decreto que nos atribua a gestão);

- Aceitar a hipótese de constituição de uma nova entidade para a gestão, reclamando como primeira alternativa, a detenção da posição maioritária, ou aceitando a solução minoritária;

- Estabelecer um novo Protocolo, com a melhor clarificação das funções e responsabilidades entre o gestor e o proprietário.

Para uma deliberação final da Câmara sobre esta matéria, importa também ter em conta a forma como a questão da Contenda é abordada na proposta de Plano Regional de Ordenamento Florestal do Baixo Alentejo, apresentando-se a ideia da Contenda como Floresta Modelo, a necessidade da elaboração de um Plano de Gestão Florestal e a manutenção da sua gestão na esfera pública.
Fase ao exposto proponho:

• Que a Câmara manifeste desde já a sua indignação pela forma como o assunto tem vindo a ser tratado, destacando a excessiva demora na resposta à solicitação de audiência e a posição inflexível da Secretaria de Estado relativamente à possibilidade de atribuição da responsabilidade da gestão directa ao município.

• Que a Câmara sublinhe o seu empenho e o seu interesse superior na valorização das potencialidades da Herdade da Contenda, e da necessidade de ser adoptada uma forma e um modelo de gestão adequada a este propósito.
• Que se proceda a uma análise mais profunda desta matéria, sendo presente a posterior reunião da Câmara, um documento que enumere as diferentes opções e as caracterize em termos de vantagens e inconvenientes.

18.2.06

Não sei se é sonho, se realidade...

Olá caros(as) leitores(as) do Agit,

É assim, com mais um poema, que vos digo Olá, sejam bem vindos! a este nosso cantinho.
Como já vinha sendo hábito, voltei a publicar mais um poema, este desta vez de Fernando Pessoa, esse génio das palavras, esse símbolo do sentir português.
Este poema é também uma referência para alguém que queria aqui presentear hoje...
E assim caros(as) leitores(as) vos deixo com o poema, na certeza que irão gostar, e que em breve voltarei com mais.
Também como já era hábito, sugestões aceitem-se, esperamos por elas.

Até já!


Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri

Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter Felizes, nós?
Ali, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez,

Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar;
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.

14.2.06

O Agit Voltou! Ou pelo menos vamos tentar que assim seja...

Sim é verdade, depois de muitos pedidos o Agit voltou!

Parece que houve gente que sentiu a nossa falta, outros que se sentiram aliviados, outros ainda que não perderam a oportunidade de tecer diatribes acerca destas nossas "férias" para atacar terceiros (o que sempre foi seu apanágio aliás).

É sobre este último ponto que nos deteremos um pouco, porque não há interpelação/provocação que fique sem resposta e porque servirá também de ponto de partida para elucidar todos os leitores que nos pediram para retomarmos a actividade.

O Agit Moura surgiu porque era necessário dar a conhecer o que de mau, mas sobretudo o que de bom se passa na nossa terra. Tivémos desde o início a noção de que com o advento da Blogosfera se deu a verdadeira democratização da opinião, mas que o que importava era criar um espaço que, tendo em atenção esse tão nobre factor, não fosse veículo para se descarregarem frustações pessoais.

Tudo isto para chegarmos ao ponto em que passamos a convidar os verborreicos abutres para procurarem no nosso blogue indícios de termos surgido para defender os interesses do Partido Comunista de Moura. Claro que aqui pedimos que os autodenominados arautos da "justa" causa mourense tenham como termo de comparação o alinhamento do espaço que administram com o Partido Socialista local.

A frase, dita lapidar, "há valores que o PODER e os seus JOGOS não conseguem destruir", apenas nos deixa uma impressão, ele há gente com muita lata! Caros amigos, não são vocês outra coisa senão aquilo que nos pretendem imputar. E isto não é o acriançado jogo do empurra, vocês têm dado, felizmente, abundantes provas disso! Encontram-se claramente comprometidos e não passam de uma infeliz tentativa de vender banha da cobra, armas para caçar gambuzinos ou mapas para o Eldorado.

O Agit talvez tenha sido levianamente rotulado da forma que o foi, porque procurou sempre dizer a verdade e nos temas que a isso se prestavam mostrar as duas faces da moeda. Talvez esta conduta não fosse conveniente para certas estratégias de alpinismo político, daí o tipo de reacções que temos lido e que apelidamos como completamente despropositadas, compostas por um misto de falsos moralismos (leia-se oportunismo) e paternalismo bacoco.

Mas deixemo-nos de coisas tristes e passemos a explicar aos nossos leitores os motivos para tão prolongada ausência. Ela resume-se ao transcendental, maquiavélico e conspirativo motivo conhecido usualmente por excesso de trabalho. Sim é verdade, confessamos: Nós trabalhamos e não temos tido tanto tempo quanto o que gostariamos para dedicar à construção de um blogue realmente à altura dos nossos e vossos desejos. Mas dada a insistência para o nosso regresso, prometemos que tudo iremos fazer para manter este espaço o mais actualizado possível, dentro daquilo a que já habituamos os nossos leitores, ou seja, o respeito pela verdade, pela opinião, mas acima de tudo o respeito que temos de nutrir uns pelos outros.

Até já!!

28.11.05

Elogio da Dialéctica

Caros(as) amigos(as),

Volto hoje com mais um poema, mais uma vez um poema da autoria de Bertold Brecht, poeta Alemão, nascido em 1898, tendo morrido em 1956.

Esse grande senhor que fala verdade e tocava em pontos cruciais na vida da sociedade (exemplo disso mesmo é os poemas dele aqui publicados) atravez da poesia, teatro, ensaios, romances, que apesar de serem do século passado cada vez mais estão adequados e actuais na nossa sociedade, mostrando também assim a actualidade dos ideias de esquerda que ele desenvolvia com a sua maior arma: a escrita, e que ponha em práctica sempre que subia a um palco, recitva, ecrevia...e porque sempre lutou!

A injustiça avança hoje a passo firme.
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são.
Nenhuma voz além da dos que mandam.
E em todos os mercados proclama a exploração: isto é apenas
o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo nunca diga: nunca.
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são.
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados.
Quem pois ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós.
De quem depende que ela acabe? Também de nós.
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aì que o retenha?
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
E nunca será: ainda hoje.


Próximos poemas virão, e tal como até aqui com uma mensagem...
Espero que estajam a gostar da seleção de poemas, caso contrário sugestões, opiniões, comentários até aos própios textos aqui publicados esperam-se!

Jinhos e abraços!!!!!!!!! ******* [[[[[[[[[]]]]]]]]]]

22.11.05

Le déserteur "O Desertor"

Caros(as) leitores(as),

Hoje volto mais uma vez com um poema.
Desta vez mais um contríbuto de um leitor, leitor esse que assinou como Storm, e deixou-nos um poema de um autor frânces, Boris Vian, um poema que como é claro o seu original é frânces, mas deixo-vos aqui a sua tradução!
Espero que gostem!
O nosso muito obrigado ao Stormpelo contríbuto que deu ao nosso blog!!
Abraços e jinhos pessoal!!!!!!!!!!

Senhor Presidente
Escrevo-lhe uma carta
Para talvez ler
Se tiver vagar.

Acabo de receber
A minha cédula militar
Para partir prá guerra
Antes de Quarta à noite.

Senhor Presidente
Não o queria fazer
Não estou na terra
Para matar esta pobre gente.

Não é para o zangar
Tenho de lhe dizer
A minha decisão não vou mudar
Vou-me embora desertar.

Desde que nasci
Vi morrer o meu pai
Vi os meus irmãos partir
E chorei os meus filhos
A minha mãe tem sofrido tanto
Que está no seu caixão
E não se rala com as bombas não
E não se rala com os versos.

Quando era prisioneiro
Roubaram-me a minha mulher
Roubaram-me a minha alma
E todo o meu querido passado.

Amanhã, cedo de manhã
Fecharei a minha porta
À cara destes anos mortos
Seguirei caminho
Pedirei esmola para viver
Pelas estradas de França
Da Bretanha à Provença
E direi às gentes
Recusai-vos a obedecer
Recusai de a fazer
Não ides para a guerra
Recusai-vos a partir
Se houver necessidade de dar sangue
Ide dar o seu
O sr. é um bom apóstolo.

Senhor Presidente
Se me perseguir
Avise os seus Guardas
Que não levo armas
E que poderão disparar

20.11.05

José


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?



Mais um poema, desta vez de um poeta brasileiro, Carlos Drummond de Andrade.

E agora pergunto eu! E agora "José"? "José" e agora?
Mas afirmo porque o é! Você é duro, "José"!
E pergunto-me e pergunto-te! "José", para onde?

;-)

Jinhos e abraços pessoal!!!
Esperam-se contríbutos e comentários, o mundo lá fora não pára, 'e nós muitas vezes tal como ele também não...' e também respostas às perguntas!!!

19.11.05

"Adeus" de Eugénio de Andrade.

O seguinte texto e poema foi-nos enviado pela leitora Anna Karenina. Agradecemos os elogios feitos ao Agit Moura e também fazemos questão de a felicitar pela excelência do texto introdutório.

Voltamos a lembrar que este é um espaço para todos e que os vossos contributos serão sempre bem vindos!

Caros Ninjas:

E com imenso agrado que verifico que o vosso blog está cada vez mais abrangente, englobando temáticas como a literatura, tema que me é bastante caro.
Envio então um pequeno contributo, pequeno por ser da minha parte, enorme por ser um dos mais belos e pungentes poemas da imensa pátria que é a Língua Portuguesa e também por ter sido escrito por um dos maiores vultos da literatura portuguesa do século XX- Eugénio de Andrade.
Reflictam na beleza destas palavras que nos transportam para um amor vivido tão intensamente que teria uma finitude triste, mas ao que ao mesmo tempo nos transporta para um plano infinito.
Espero que gostem

Anna Karenina


Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade

17.11.05

Perguntas de um trabalhador que lê


Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros estão nomes dos reis.
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos do triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias.
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe da Espanha
Chorou.E ninguém mais?
Frederico II ganhou a Guerra dos Sete Anos.
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?

Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias.
Quantas perguntas.



Aqui fica mais um poema, desta vez um poema de Bertold Brecht, este poema apareceu em Copenhague quando o seu autor já se encontrava na Suécia.

Um poema lindo, com muitas ????????????????????????

E voces não ficaram também com ????????????????

Comentem.

Abraços e Jinhos, voltarei com mais assim que puder!

13.11.05

Valorização da Margens do Guadiana. Projecto Piter.



Investimento turístico valoriza margens do Guadiana

Depois de "um longo processo", a candidatura Piter "Margens do Guadiana", num total de 39 projectos (quatro âncora, 21 públicos e 14 privados) e com um investimento global associado ao projecto de mais de 39 milhões de euros, foi aprovada. Assente em três vectores estratégicos – a valorização do Guadiana; a valorização do património arqueológico e construído; e a animação turística, o programa destina-se a valorizar a oferta turística dos concelhos de Barrancos, Beja, Mértola, Moura, Serpa e Vidigueira. A candidatura tem como promotores a Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, a Região de Turismo da Planície Dourada (RTPD) e o Núcleo Empresarial da Região de Beja, cabendo à RTPD a respectiva coordenação.

Ao longo do "longo" processo de candidatura, iniciado em Maio de 2003, alguns projectos acabaram, no entanto, por ficar pelo caminho (eram 58 ao todo, entre públicos e privados). "De acordo com Vítor Silva, uns "foram abandonados pelos privados", outros não foram aprovados. A candidatura é aprovada per si, mas dentro da candidatura podem ser recusados, e foram, vários projectos". Foi o caso dos projectos comuns de valorização das atalaias do Guadiana e de criação de um festival de artes e cultura das margens do Guadiana, projectos "muitíssimo interessantes e importantes", e cuja exclusão já foi contestada pelos promotores da candidatura.

O primeiro projecto integrado estruturante do Baixo Alentejo tem como projectos âncora o barco-hotel do Guadiana, a Ecoteca Fluvial do Guadiana, a intervenção de requalificação no Castelo de Moura e Escola de Música de Serpa (World Music Center), os pilares onde assenta a candidatura, e onde "todos os outros projectos vão beber", sendo que, de acordo com Vítor Silva, "a não concretização de um projecto âncora pode fazer cair o Piter". O projecto do barco-hotel do Guadiana está concluído, a requalificação do Castelo de Moura está em fase de conclusão, já o World Music Center está "praticamente no zero". "Acreditamos que é desta que o projecto anda. Para nós [promotores da candidatura] este é o projecto fundamental da candidatura, o mais emblemático e decisivo".

O Piter (Programas Integrados Turísticos Estruturantes de Base Regional) tem por objectivos reforçar a capacidade de atracção turística, através do reforço e qualificação da oferta de alojamento turístico, do incremento da animação turística e da instalação de equipamentos/serviços com forte impacto no turismo; criar núcleos funcionalmente interdependentes de oferta turística; e contribuir para a dinamização de actividades económicas locais, através do turismo cultural e activo, da criação de novos produtos comercializáveis e da criação de circuitos turísticos.

Texto Sandra Serra In Diario do Alentejo.

Calçada de Carriche



Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada...

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada...!


Seguindo os conselhos do meu grande amigo e colaborador Leon, voltei para deixar mais uns dados sobre este lindo poema: Poema de António Gedeão in "Fala do homem nascido"; Musicado por José Niza e cantado de Carlos Mendes!

Um poema para todas as mulheres, as mães do mundo!!!!
Jinhos gandes pa todas elas!!!!

Mais uma nota, uma vez que por aqui estou, voltarei com mais poemas para o meu pessoal se deliciar, e assim conforme o dia tiver, as coisas girarem e eu me apetecer, assim será o poema que com que vos brindo!!

E pessoal se tiverem sugestões a fazer não se arrependam nem esitem, façam-no como muito bem entenderem, todas as sugestões e comentários são sempre bem vindos!!!!
E olhem não se esqueçam de comentar, faz falta para animar este nosso espacinho, para que ele se torne ainda mais cativante, agradável, entusiasta e acolhedor!!!!

Jinhos e abraços!!!